Desci do salto

outubro 2, 2008

Há pouco vendi meu carro. Por vários motivos. Número um, estava dando muito trabalho. E, de trabalho, já basta ter que me lavar os cabelos todas as manhãs. Mas não comprei outro para contribuir com uma cidade melhor. Assim, acredito também que terei uma vida mais saudável. Já estou nessa, aliás, pois passei a andar um montão a pé. As vezes vou levar e buscar meu filho na escola caminhando. Uma delícia. Entre outras coisas, descobrimos um bosque cheio de árvores frutíferas no caminho para a escola. Até aí, tudo bem. O problema é que descobri, tarde demais, que meus sapatos não foram feitos para andar. São saltos e mais saltos, todos lindos, que eu amo, cheio de amarrações, fitinhas, lacinhos, umas delícias de olhar. Mas um terror para uma andarilha. Jesus, e que horror! Meus pés quase pediram falência na primeira semana. Deixei para lá. Resolvi investir uma parte do dinheiro do carro vendido em sapatos baixos, mas só consegui comprar dois até agora. O problema é que eu realmente amo saltos. Eles são lindos, elegantes, sexies. Mas mesmo os baixos não são superconfortáveis, coisa difícil de encontrar, como eu já disse nesse blog. Descobri que a Ferri faz sapatos muuuuito confortáveis, mas não fazem super o meu estilo. Para andar, não adianta só serem confortáveis, me esqueci. Não podem ser muito delicados também, pois esses não aguentam muitos quilômetros por semana ou uma chuvinha de leve. Qual a solução? Estou à beira de comprar uns Crocs horríveis para não cansar mais meus pés de andarilha. E levo meus saltos no saquinho de flanela para calçar quando chegar ao destino final. Se alguém me perguntar, digo que aprendi em NY.

De volta

junho 22, 2008

Leitores amigos, eu sei que um post por semana é revista da Folha, como já disseram por aqui, mas estive doentinha. Ainda não melhorei, mas resolvi juntar minhas forças para sair debaixo das cobertas e escrever. Melhor isso do que ouvir os comentários maldosos que ganham força por aí. Bom vamos lá. Sabe aquele ditado, não tem tu vai tu mesmo? (me surpreendi esses dias porque uma amiga gaúcha não conhecia). Então, domingo à tarde, não tinha muito o que dizer… Eu responderia: “Não diga, então”. Pois é, mas blog não é assim. Isso posto, vou falar de algo que eu nao pretendia, mas agora que todo mundo já viu e já passou a febre dos comentários-de-blogs-patricinhas-enlouquecidas sobre o filme, vestidos, noivas e afins: Sex and The City. Saiu até na Veja. Isso quer dizer que minha avó já tinha opinião formada antes. O filme é ruim mesmo, todo mundo já sabia. Mas a mesma Veja dizia que as pessoas foram para ver as roupas, não o filme. Eu também. Aquele Mr. Big arrependido não dá, definitivamente. Mil vezes o cafa (era mesmo? na verdade, ela é que sempre foi por demais ingênua. Ele, não. Sempre deixou claro o que não queria. Aliás, vale o comentário. Os homens só faltam registrar em cartório e as mulheres continuam achando que um dia o cara vai mudar de vida e subir no altar. Ok, até pode, mas quando ele quiser, queridas. E não porque vocês usaram seus melhores vestidos. Liberdade!). Aliás, falando de liberdade, adoro a Samantha, vocês não? Tirando aqueles tailleurs horríveis e os brincos dourados que ela escolhe muito mal, ela é perfeita. Não tá nem aí, fisgou o cara mais bonito da série, fica sempre de bom humor mesmo nos piores momentos (veja que ela fez a reserva pras três no resort, não foi genial?) e sai com todo mundo que ela quer. No regrets. Adoro a Samantha. E brincos dourados não são de todo mal. Só os que ela escolhe que são meio breguinhas. Outras coisas que eu achei sobre o dito filme:
– O filhinho da Miranda dormindo igual ao pai é a coisa mais fofa (a primeira vez que eu vi o Nino e o Rui fazendo isso, quase gritei. E olha que gritar não é do meu feitio)
– O vestido da Charlotte quando ela conta que tá grávida é incrível (procurei, mas não tem uma foto dele na rede. Para quem tem corpo parecido, parabéns. Ela tem cintura de pilão, quadris redondos e pouco peito. Como grande parte das brasileiras – antes da onda do silicone. Mas se um dia você se sentir mal em usar uma saia justa, lápis, porque os quadris saltam demais aos olhos, lembre-se que uma blusa com volume nos ombros, com mangas bufantes ou babados tomara-que-caia ajudam a equilibrar o visual. O dela era um tubinho de tecido de alfaiataria com uma camisa de mangas fofas por baixo. Lindo.)
– Marido bom tem que ser feio e careca, né? Sim, porque o marido feioso da Charlotte é o único homem perfeito do filme (visual à parte).

Cadê o pé dela?

junho 14, 2008


Há algum tempo venho alertando os mais próximos para os perigos do uso indiscriminado de calça jeans sem barra. A primeira razão é muito clara: fica horroroso. A segunda, como você vê nessa foto da Jessica Simpson, publicada pelo blog PopSugar (uma pseudo celebridade americana, nem eu sei direito o que ela faz, mas o exemplo é ótimo), é que você pode virar um Pokemón, aqueles monstrinhos deformados. No caso dela, ficou sem pé. Comprou calça, manda fazer a barra.

1) Se vai usar com salto, deixa aparecer da metade do pé para frente.

2) Se vai usar com flats, deixe a um dedo do chão.

3) Só não deixe ficar puída a barra porque é a única coisa pior que pé de Pokemón.

E ela ainda está usando uma camiseta que diz: Garotas de verdade comem carne.

Não tem astro de verdade de rock, jazz, bossa nova ou seja lá o que for que não tenha cravado um estilo de vestir também. O melhor acessório, para mim, é o cigarro pendendo no canto da boca do Tom Jobim nos anos 60. Ele não era lindo??? ( Tom, não o cigarro, claro). Cigarro não é chique, mas ele tinha a licença poética. Tem o Mick Jagger, com as calças mega colantes, também lindo na época dele. E eu vi no site do NYTimes um slide show com bandas de rock de garotas, todas com muito estilo. Gosto mais das meninas do Plasticines. Veja lá o slide show. Muito sexy, não?


A Erin Mizuta, boa repórter, bonita, esperta e descolada, trouxe essas imagens do Japão, clicadas por seu namorado, Leo Uehara. E assina o post abaixo, sobre o estilo nada minimal dos japoneses. Obrigada, Erin, minha primeira blogueira convidada. Não tem um quê de Regina Guerreiro?

“Moda japonesa não é mais minimalista, é fácil perceber nas ruas de Tokyo. Meninos e meninas tokyotas são especialistas na arte da sobreposição de peças. E não existe solução melhor – ou mais descolada – para transformar o visual básico em super produção. É mais ou menos assim: você sai para fazer compras e se encanta por um brinco de acrílico. Logo depois um cinto, uma saia cigana e um colete de alfaiataria. Mais pra frente você encontra uma bota caubói incrível. Daí, como aquelas crianças ansiosas para estrear o brinquedo novo – ou mesmo como a gente, que mal vê a hora de usar o que comprou – coloca as peças pra sair. Mas tudo junto!!! A moda japonesa prega harmonia entre estilos, estampas, padronagens e propósitos. E dispa-se do (pre)conceito da funcionalidade: a única intenção é vestir-se bem. Pegou o espírito? Agora, para fazer com que tudo combine, só mesmo nascendo lá, já que o dom genético. Ou então com anos de treino intensivo. Vale a pena tentar: você nunca mais vai conseguir sair com uma blusa só.” Por Erin Mizuta

Joanetes

junho 4, 2008

Ontem vi uma foto no UOL que me chocou. Os pés ds Victoria Beckham, mulher que eu já acho uma aberração da dermatologia estética. Agora percebi que Christian Laboutin e Manolo Blahnik ajudaram a criar esse monstro. Os pés dela são a coisa mais horrorosa do mundo, completamente tortos. Me recuso a publicar a foto. Esse blog é pra coisas belas. Mas vale lembrar que os mega saltos que ela usa até para levar o filho no jardim-de-infância têm a ver com isso. Aliás, coincidiu com o meu momento. Comecei a sentir dores nos pés sexta, depois de usar um saltão. Aí fui procurar na Internet, maldito Google, um jeito de evitar o problema. Eu já sabia que era deixar de usar salto. E tenho evitado, mas não sei por quanto tempo. O mal é que também não posso usar sapatilhas. Os médicos dizem que elas também são um sacrilégio para os pezinhos. Uma matéria na Vogue americana de maio fala muito bem do assunto e mostra que, com o passar dos anos, os pés perdem aquela almofadinha que têm na planta. Isso faz você sentir como se estivesse andando “sobre os ossos” quando está em saltos altos, diz um médico da reportagem (infelizmente, ela não está disponível on line, um absurdo). Foi assim que eu me senti na sexta. Mas lá também diz que as ballerinas, ou seja, sapatilhas, não dão suporte ao arco dos pés e nem têm amortecimento suficiente para mantê-los saudáveis. Bom, o jeito é achar um saltinho, daqueles de uns dois centímetros, para não ficar com aquelas joanetes horrorosas da Victoria. Aliás, Joanete ali é só um detalhe. A mulher toda é um E.T. Quando eu achar lojas especializados em sapatos confortáveis, indico. Nos Estados Unidos tem a Aerosole (a maioria é meio sapato de avó, mas tem coisas que se salvam na loja) e aqui em São Paulo tem uma loja chamada CiaoMao, na r. Itamirindiba, em Pinheiros. Eu nunca fui, mas sei que são sapatos confortáveis. Uma palmilha de silicone também ajuda.

Looks matadores

maio 13, 2008



Está acontecendo em Londres, terra de minha amiga Laura, que vai ver o festival, sem dúvida, só pra me matar de inveja (não de ir só ao festival, mas à Tate Gallery, ao Museu de História Natural e à Body Shop comprar creme de manteiga de karité, principalmente. Lindíssima, no ano que vem vou te ver e te ajudo a fazer o enxoval, tenho certeza!), o segundo “Fashion in Film Festival”, divagações à parte. É uma mostra de filmes sobre moda. E dessa vez está relacionada a imagens de crimes incrivelmente fashion. No blog do Ricardo Lombardi ele faz referência a uma matéria do Independent sobre moda e cinema, veja lá. No site do festival há um slide show dos looks matadores de Ursula Andress no italiano La Decima Vittima, de 1965. Meu deus, o que é aquela mulher? Não, ela não precisa de roupas incríveis pra ser incrível, mas já notou que sempre está com uma cara de recém-chegada do planeta deusas? Aquela saída da água em Dr. No, mais uma aventura de 007, com o biquini branco inesquecível… Veja as imagens pois são inspiradoras. Tem outras mulheres em filmes criminosos, mais contemporâneas, que eu adoro, tipo a Cate Blanchett em Vida Bandida. Ela cantando a música da Bonnie Tyler, Holding Out for a Hero, e batendo nas panelas, com aquele visual so eighties é ótima. E tem também a Mulher Gato, sem comentários, com aquele corpinho da Michelle Pfeiffer que nunca muda. Aliás, por que será que o figurino da vilã é sempre mais legal do que da heroína fofa? Até a roupa da Noiva-cadáver do Tim Burton é muito mais bacana do que da mocinha que fica esperando o noivo desaparecido. Elementar. Salto agulha preto, calça justa, jaqueta de couro e cabelo de leoa nunca foram páreo para lacinhos e fru-frus. As românticas são lindas, mas não fazem muito meu estilo. Bom, se estiver indo para Londres, não perca o festival. E pense numa vilã gostosa na próxima vez que for se vestir para sair com seu par (calma, sem tachinhas e chicotes, dessa vez).