Larga da mão da múmia

Abril 24, 2008

Faz um tempinho uma amiga me levou em um centro espírita. Eu não sou espírita, sou budista. Ou penso que sou. Mas foi bom ir, foi por um bom motivo. Lá, as pessoas rezavam pelos espíritos que não queriam ir embora, que não conseguiam acreditar que morreram. Ou não aceitaram que chegou a hora de dizer adeus. Não quero banalizar a situação. Eu respeito muito tudo aquilo. E rezei também para que eles partissem numa boa. Assim é com alguns relacionamentos, que temos que dizer adeus porque simplesmente não tem mais jeito. Com alguns empregos em que é o momento de ir, chegou a hora. Com amizades das quais não precisamos mais. Mas, o que é bom lembrar é que é assim também com certas peças de roupas das quais precisamos nos despedir. Sim, é duro. Ela te acompanhou por tanto tempo, em bons e maus momentos. Fez com que as pessoas olhassem para você e te admirassem. Você ficou mais bonita, mais atrante, mais charmoso, mais gostoso. Mas agora chega. Elas devem pertencer a outras pessoas, de hoje em diante. Quando a gente tira algumas coisas que estão atrapalhando a vida, abre espaço para outras que podem vir e ser bem melhores. Tipo aqueles casinhos que não… ahn, desocupam a moita, pra usar uma expressão da minha avó, mas que você não precisa pra ser feliz. Já foi, deu. Além do mais, vamos ser práticas. De que adianta um guarda-roupa lotado em que você não consegue nem encontrar as peças que mais gosta? E ainda tem que passar tudo de novo na hora de vestir porque é tanta coisa que não tem como guardar sem amassar? Tenho uma amiga que tinha mais ou menos umas dez portas de guarda-roupa (o meu tem duas e mais duas gavetas. Não preciso mais que isso). Um dia fui na casa dela fazer uma mala, pois ela ia viajar pra muito longe e precisaria de muita coisa. Bom, só pra ter uma idéia, tinha moleton cinza mescla da Pakalolo. Quem viveu sabe, eu não preciso dizer há quanto tempo isso fez sucesso. Fez tanto sucesso que ninguém poderia usar hoje impunemente. A não ser que os early nineties voltem à moda, e aí eu prefiro estar bem longe. Meu conselho é o mesmo que praquelas amigas que largam o namorado, mas o namorado não larga delas: solta da mão da múmia!!!! Ninguém precisa de coisa velha pra ser feliz. Aliás, nem de coisa velha e nem de coisa demais. Guarda-roupa minimalista é ótimo. E você ainda faz uma boa ação ajudando os seres que precisam se aquecer no inverno que está por vir. Claro, não quero falar daquelas peças que a gente ama eternamente, tipo a minha calça da Ellus boca de sino que eu uso incrivelmente há uns bons sete anos. E agora voltou!!!! Mas não pode ser muita coisa. De resto, doe pra abrir espaço para as próximas. E você vai ver como ficará mais fácil se vestir de manhã.

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